sábado, 19 de junho de 2010

O verdadeiro significado de amar.



Acho que desde a minha primeira experiência em relacionamentos, eu fui anestesiada.


Aprendi a ser uma pessoa mais fria e inerte a tudo, inclusive a carinho, e ao sentimento de entrega. Nisso fui construindo uma barreira no meu coração. Pode soar o mais clichê de todas as frases, mas mulheres e até homens já passaram por isso, e quem não passou, talvez não tenha vivido de verdade, e se viveu, ao menos uma decepção relativa a esse assunto deve ter na balança da vida.


Meus avós, que são o casal mais lindo que já tive o prazer de presenciar, bem no início tiveram uma decepção. Se eles, que encontraram o felizes para sempre já sofreram ao menos no início, quem está imune, não é? Ainda vejo um certo ar de jovem apaixonado quando observo o meu avô olhar para a minha avó. 55 anos de convivência e um amor verdadeiro, sonho de todo romântico, creio eu.


Pois bem, dito isso, fui caminhando com as pernas bambas, indo de encontro a quem sabe, algum novo amor que pudesse substituir aquela decepção horrível, que uma jovem de 15 anos tímida e ingênua tinha sofrido. Haviam pisado em um coração frágil e ele não conseguiu se recuperar desde então.

Passaram-se anos, e a frieza já fazia parte de mim. Já não era carinhosa com mais ninguém, encontrei no humor uma forma de mascarar toda a tristeza que ainda sentia em meu peito. Por noites chorei lágrimas de desespero, de sofrimento. De dor.

Então foram passando horas, dias... As lembranças foram ficando para trás. Elas permaneceram com a mesma nitidez, mas agora eram suportáveis e o ódio tomava conta de tudo o que eu sentia: nojo, repulsa, principalmente de mim. Mas uma coisa não desapareceu. A saudade que eu tinha de estar apaixonada, de amar com todas as forças, de me sentir viva.


Muitas vezes quando passamos por uma decepção grande, temos dificuldade de enxergar com clareza o que está na nossa cara. Às vezes é tarde demais para perceber e acabamos perdendo algo que no início achávamos insignificante.


Em 2009 eu já estava recuperada por completo, mas as marcas eram tão perceptíveis que todos os meus relacionamentos não duravam mais do que 2 meses. E eu nem de longe sentia o que havia sentido naquele ano. Era simplesmente o desejo de ter alguém, nada mais.


E então conheci alguém que mudaria isso em mim. Alguém que derrubou não só a barreira que eu havia construído, mas a vontade de estar junto o tempo todo, de carinho, de confiança. Enfim, o sentido de amar.


Demorei, sim, para descobrir que ele fizera tudo isso em mim. Ninguém quer admitir as próprias fraquezas, nem que pra isso as mascare. Portanto, no início, eu não sentia nada. É verdade, não sentia nada além do que senti pelos outros, que duravam tão pouco tempo. Tive medo de magoar mais um coração com a minha tristeza passada. Mas o tempo foi passando, foram surgindo momentos, coisas nossa, piadas, estava surgindo uma intimidade que eu nunca tive com ninguém. Isso me deixou em pânico, por vezes pensei em terminar, por medo. Medo de estar abaixando a guarda, de estar destruindo a parede frígida de sentimentos inexistentes.

E foi nesse dia, hoje, que tive mais medo ainda. Foi um medo terrível que tomou conta de mim. Como eu posso gostar tanto dele? Como isso chegou a esse ponto? Como eu deixei isso acontecer?

O receio de me entregar por completo ainda é grande, mas ele apareceu, e o desejo de amar, também. Em todos esses anos, nunca quis me entregar a ninguém. Nunca disse que amava ninguém. E quando estava com uma pessoa, tinha medo de estar enganando-a por não retribuir o sentimento.

Hoje o sentimento é outro. Tenho medo, sim, mas não de magoá-lo, e sim de me magoar, por tornar a intensidade do sentimento mais forte. A racionalidade faz parte de mim, e ela está em conflito com o sentimentalismo. Mas sempre quando eu olho em seus olhos, eu vejo uma paz e um calma, como quem diz tudo bem, eu posso me entregar por completo. Então os pensamentos interrompem e começa um ciclo vicioso de razão x emoção.

Mas de todas as coisas, o verdadeiro significado de amar, pra mim, está aparecendo aos poucos. E a felicidade, enfim, está conseguindo me alcançar de verdade.
Ele pode não ser tudo o que qualquer mulher deseja e sonha pra si, mas ele tem o que eu preciso, e o que falta em mim, pra me complementar. Ele tem o que se encaixa perfeitamente pra mim. E é por isso que agora, eu acredito no tempo e no destino, inclusive. Porque se eu não estivesse lá naquele local e naquela hora, talvez as coisas teriam acontecido de um jeito totalmente diferente.
Pode não durar para sempre, como o amor dos meus avós, mas o tempo não é importante, porque a sensação que tenho quando estou com ele é que o tempo não existe. O que existe somos eu e ele e nada mais.