quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Significâncias da vida; pensamentos pré ano novo.


Acho que há algo extremamente errado comigo. Sinto-me como se eu fosse um hiato, presa nesse lugar e nesse momento que chamam de vida. Por vezes me perguntei: qual é o propósito de eu estar vivendo? Por que eu penso e os outros animais seguem seus mais puros instintos? E continuo me perguntando, até que cheguei a uma resposta que me basta, até eu me cansar dela. Estou aqui para fazer alguém feliz.

Até aí, tudo muito bonito. Mas o que é felicidade? E mais: e se for ao contrário? E se eu não puder fazer alguém feliz e trouxer só aborrecimentos e chateações à vida dela? Eu não consigo ser alguém alegre o suficiente para esse feito, não agora. Eu vejo tudo pelo lado realista, que as pessoas chamam de negativo. Sou uma pessoa triste, tenho sérios problemas de ver as coisas pelo lado bom e penso que a vida dos outros sempre será e é melhor do que a minha. Isso é horrível, mas é como eu me sinto no momento. Ninguém consegue perceber isso, a não ser uma única pessoa, a qual não merecia nenhum dos meus sofrimentos e não tinha nada a ver com a história até então.

Essa pessoa passou a ser uma das coisas mais importantes da minha vida, e sem ela agora, eu acho que perderia todo o sentido de viver. Tudo tem perdido o sentido para mim. Um irmão que tem o rabo preso com a esposa; uma irmã que eu gosto muito, mas que tem os problemas dela e eu não quero incomodá-la com nada; uma mãe que eu amo, mas que não entende nada de mim e que possivelmente não sabe que certas palavras machucam, e certas coisas não deveriam ser ditas, não da forma que foram pronunciadas.

A sociedade fez com que eu me sentisse angustiada em mostrar que eu sou capaz de realizações grandes, que as pessoas podem sentir orgulho de mim. E com isso eu sempre me senti presa, sufocada e sob pressão, com o relógio sendo o meu chacal. Sempre senti que era menos que meus irmãos, que eles, por serem mais velhos e serem programados, tinham uma vida digna de orgulho. Hoje eu vejo que superestimei todo mundo, principalmente ao meu irmão, cuja vida eu acho extremamente infeliz. Tudo isso eu aprendi sozinha, com uma mãe que me fez “por acidente” e que vivia me comparando com meus irmãos, mesmo não se dando conta, mesmo dizendo que não era verdade e que eu estava fazendo drama e, finalmente, mesmo eles tendo 4 anos a mais do que eu.

Todas essas coisas se somaram, e hoje eu aprendi que chorar não é sinônimo de fraqueza. Tive de aprender, afinal, a minha vida toda sempre foi meio triste. Seres humanos têm tristezas, claro, mas eu fui multiplicando-as, até criar uma bola de neve gigante. Meus problemas eu sempre fui adiando, esperando o tempo resolver, porque me ensinaram que o tempo cura tudo. O fato é que isso é mentira, eu tenho que encarar o problema de frente, vomitar tudo o que eu sinto e dizer “pronto tempo, foda-se você”

Isso tudo foi só para introduzir o quanto eu abomino essas festas de final de ano. Tudo perdeu o sentido, como a postura da minha família; tudo tem um fundo de tristeza, como eu. Natal virou sinônimo de compras, e se tu não dá presente, parece que é menos por isso. Senti isso na pele, nesse natal, no ano em que tirei minhas conclusões maiores a respeito da minha vida. Eu não dei presente algum, e posso estar enganada, mas não vi sequer um olhar sincero para mim, naquele momento. Não tenho como culpar a minha família, afinal, a sociedade acerta a todos. Vai acertar a mim também, um dia, quando meus filhos forem infectados pela história do papai Noel. O que mais me dá raiva é o fato de o significado do natal ter se perdido. Papai Noel é mais importante do que o Menino Jesus, e isso está vindo de uma descrente, que se nega a rezar por obrigação em cada santa refeição do dia, regra imposta pelo padrasto novo.

E é por isso que nesse 2011, tudo que eu peço é paz de espírito, e uma única chance de provar que eu posso ser aquilo que se espera de uma filha sem um pai presente: a superação e o ressarcimento de todo o dinheiro investido no meu futuro, se é que ele existe.

Espero um dia olhar para trás e perceber como eu era ridícula, mas acredito que a insignificância da vida só tende a crescer no meu pensamento, e eu só irei viver porque não sei o que me espera em alguma outra vida, ou se tudo acaba aqui mesmo.

Sei que isso tudo são palavras jogadas ao vento, mas eu sei que estou destinada a grandes feitos ainda, tudo porque eu sou rabugenta e teimosa o suficiente pra insistir no que eu quero, mesmo que derrame muitas lágrimas de desespero por isso.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Cansada.


Estou cansada das pessoas, das coisas, dos fatos que acontecem, dia após dia. Cansada da maneira como o mundo gira, normalmente, contra mim. Cansei também das amizades que somem, das pessoas às quais gastei minha energia em vão. Cansei de tudo que é falso, de tudo que fez eu perder tempo e forças para que funcionasse, e, obviamente, não funcionou.
Mas o que me deixa mais triste não é ver tudo desmoronar. É saber que ninguém faz nada para que esse desmoronamento não ocorra, a não ser eu. Eu, que corro atrás das pessoas que mal se importam comigo. Eu, que sigo convidando amigos para sairem, sabendo que nada do que eu faça vai adiantar. E eu continuo sendo a palhaça dessa história toda.

A vontade que eu tenho é mandar tudo à puta que pariu. Jogar tudo pro alto e dizer "chega! Está na hora de vocês correrem atrás de mim". Parece narcisismo, mas não é. É cansaço, de tudo que um dia foi e agora não é mais. O tempo é o maior vilão que eu já encontrei, e o maior herói também, e é nesse paradoxo que eu vivo, incessantemente, até o dia que eu resolver dar um basta em tudo isso.

Não consigo fazer amizades novas simplesmente porque o núcleo ao qual eu convivo é tão cheio de falsidade que faz eu ter asco de estudar num ambiente daqueles. Como é que pode existir gente tão podre e tão nojenta? É eu olhar pra cara de cada uma daquelas meninas e ter vontade de surrá-las, uma a uma. E o primeiro retardado que disser ou ao menos pensar que é inveja minha, um VAI À MERDA bem grande para você.

Pois é. Cansei. Espero que seja uma "fase", como sempre dizem, e que isso passe. Porque senão, não vejo como ser feliz sem pessoas que gostem verdadeiramente de mim.

Tenho que parar de me importar tanto com quem não se importa comigo, aí quem sabe eu aprenda a parar de ser idiota.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

A incrível arte de estudar.


Há tanto tempo que não escrevo postagens maiores do que algumas linhas, que acho até que enferrujei. Essa internet vive criando coisas tão mais rápidas e instantâneas que tinha me esquecido do blog, e de como eu tenho necessidade de escrever coisas grande.

Isso só foi perceptível quando tive que aprender a "enxugar" o meu texto e fazê-lo funcionar como uma espécie de máquina, com introdução, desenvolvimento e conclusão. Sempre. Redações acabam com qualquer criatividade que eu venha a ter. Sim, posso ter o mais fantástico dos assunto nas mãos e uma abordagem fácil de fazer; porém, eu sempre vou pelo caminho mais difícil, pela abordagem que talvez ninguém pense.

Enquanto as pessoas escrevem coisas rotineiras, por exemplo, sobre a transgressão, e a inserem em um contexto cotidiano, eu simplesmente abordo outra coisa, que não é comum a todos e que justamente faz o diferencial nela. Minha última redação foi sobre a psicopatia como forma de transgressão inata, a saber.

Enquanto isso, não é só redação que me atormenta. Aliás, ela não é o meu maior problema. A grande dificuldade que tenho é com a matemática. Sim, uma ciência exata que não faz sentido nenhum e um bando de nerds disse que faz. E então eu me pergunto: o que a área do quadrado, ou a área da base vezes altura vai acrescentar no meu curso de Direito? Por que eu preciso aprender a fazer probabilidade e combinatória clássica, se eu vou trabalhar (espero, ao menos) com relatórios e cadáveres?

Falando nisso, é mais sobre isso que ia falar nesse post. Descobri o que verdadeiramente me interessa no campo do Direito. Perícia Criminal. Não tem coisa mais fascinante do que pegar cada detalhe, cada mancha de sangue, e traçar um mapa de um crime. Mas queria ir além. No Brasil, só me daria bem se eu trabalhasse na Polícia Federal, e olhe lá. Trabalhando como um camelo no deserto, também. perito da Polícia Federal ganha 13000 por mês. Já me basta, pra início de conversa. Viveria muito bem com essa quantia.

Enfim. Minha vida tá completamente virada. Tenho estudado 9h por dia. Sim, não é brincadeira. E acho que se eu tentasse uma láurea acadêmica, possivelmente não iria conseguir.

E outra coisa que tá me deixando fdp é o fato de ter que fazer faculdade medíocres, só porque não consigo primeiro lugar na PUCRS e principalmente não consigo passar na UFRGS.

Essa vai ser minha primeira tentativa, com 19 anos.... Dia 9 de janeiro começa a maratona de 4 dias de prova, e isso vai definir o meu humor pelo resto do ano.

É matemática, você provavelmente vai me derrubar. Mas por enquanto não quero pensar nisso, tive uma luz no fim do túnel com química e pretendo seguir nesse rumo. Se alguma matéria tiver que me derrubar, que seja SÓ matemática. Senão, vou me sentir uma completa inútil que fez um cursinho pra nada.